Faculdade de Educação da UNICAMP aprova cotas para pós-graduação

No dia 29 de junho de 2016, em Congregação histórica da Faculdade de Educação da UNICAMP, foi aprovada a admissão de cotas para a Pós-graduação para negros, indígenas e para pessoas com deficiência.

Registro do Seminário Temático de Relações Étnico-Raciais ocorrido no campus São Carlos no dia 21/06/2016

Abaixo é possível acompanhar ao vídeo que registrou o Seminário Temático de Relações Étnico-Raciais que aconteceu no formato de Roda de Conversa sobre Prevenção e combate ao Racismo Institucional e à outras formas de discriminações de Raça, Cor, Etnia, Religião ou Procedência Nacional, no dia 21 de junho, das 19h às 22h no Teatro de Bolso, no campus de São Carlos.

O Seminário faz parte do processo de construção, participativo e dialógico, da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar.

A SAADE agradece todas as pessoas que participaram da Roda de Conversa e que colaboraram para que este momento acontecesse.

Nota sobre a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC)

É com grande preocupação que a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE) UFSCar recebeu na quarta-feira, dia 2 de junho, a notícia da exoneração de 23 pessoas, dentre elas – chefes, coordenadores (as) de áreas, técnicos (as) da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC). A preocupação aumenta especialmente com a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos pela Medida Provisória nº 726, de 12 de maio do presente ano, cujas pastas passam a compor secretarias no Ministério da Justiça e Cidadania, recém-criado. A UFSCar tem uma trajetória que atesta seu compromisso com as políticas de ações afirmativas, diversidade e equidade, expresso,entre outras ações, na própria criação desta Secretaria. Dentro dos desafios postos a toda sociedade brasileira nas correções de desigualdades e promoção da equidade, esta Secretaria reafirma mais do que sua co-participação, reafirma seu compromisso e protagonismo – como Universidade Pública brasileira- com todas as ações empreendidas pela sociedade civil e pelos órgãos governamentais na direção dessas correções, para as quais a  SECADI é parte fundamental e  estrutura necessária. Reconhecemos e apoiamos a continuidade da SECADI, seu fortalecimento, com o necessário aporte de recursos financeiros, infraestrutura, e especialmente com a presença de pessoal qualificado nas especificidades de suas diretorias tal como determinado pelo Decreto nº 7.690/2012, da Presidência da República, em seus artigos 20 a 25, que, em linhas gerais, afirma que esta Secretaria deve contribuir para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado à valorização das diferenças e da diversidade, à promoção da educação inclusiva, dos direitos humanos e da sustentabilidade socioambiental, visando à efetivação de políticas públicas transversais e intersetoriais.

A UFSCar acompanhou e, direta ou indiretamente, participou da construção desta secretaria, dialogando de perto com muitas das ações desencadeadas, participando de diferentes programas, em especial no campo das relações étnico-raciais, mas também na educação de jovens e adultos;e outros, e mais recentemente, programas de inclusão – como o INCLUIR. A universidade, ao adotar o sistema de reserva de vagas em 2007, antes da Lei 12711/2013, aumentou sua preocupação com as consequências do acesso de grupos étnicos, raciais e sociais que antes não se faziam presentes. Diante deste fato, a universidade, em seu Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI), vem assegurando formas de garantir uma universidade de excelência, para todas e todos, para isto mobilizando esforços em diferentes ações, acompanhando e sendo apoiada por órgãos governamentais como a SECADI e, o recentemente extinto Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos. ASECADI é para esta universidade, assim como outras instituições de educação, instância fundamental para a consolidação de uma educação verdadeiramente pública, gratuita, de qualidade para todas e todos. Não por acaso, a criação da SAADE, é uma resposta institucional que acompanha as políticas e programas de Estado e de governo conquistadas pela sociedade civil, em especial, de determinados grupos mais vulneráveis – mulheres, negros(as), indígenas, ciganos(as), quilombolas e remanescentes, pessoas com deficiência, jovens.

A SECADI, criada como SECAD em 2001, em um contexto de crescente debate em torno de ações afirmativas para população negra, garantia de direitos a população carente, direito a educação pública e gratuita para todos – incluindo as pessoas jovens e adultas analfabetas – direitos expressos na Constituição Federal de 1988 que se mostravam ainda um grande desafio para serem efetivados. Questões específicas como educação para as relações étnico e raciais, educação continuada, educação de pessoas com deficiência, população quilombola e indígena embora dialogassem com todas as secretarias do MEC necessitavam de uma estrutura que atendesse que as priorizasse. A SECAD (posteriormente, SECADI) é então criada para responsabilizar-se por políticas e programas vinculadas a demandas que a muito vinham sendo apontadas por movimentos sociais, mas também pelas próprias secretarias do MEC em razão de determinadas especificidades, com destaque – o campo das Relações raciais e étnicas, da educação de jovens e adultos, da educação do campo, das pessoas com deficiência e a educação na modalidade a distância.Como se pode ler no próprio site do MEC“À Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão compete planejar, orientar e coordenar, em articulação com os sistemas de ensino, a implementação de políticas para a alfabetização, a educação de jovens e adultos, a educação do campo, a educação escolar indígena, a educação em áreas remanescentes de quilombos, a educação em direitos humanos, a educação ambiental e a educação especial.”

Também é preciso considerar que há pelo menos duas décadas o tema da juventude vem se constituindo como fundamental na agenda pública do Brasil. Nesse processo, os mecanismos institucionais de gestão, tais como a Secretaria Nacional de Juventude e os programas de inclusão com estrutura e orçamento capazes de produzir incidência nas trajetórias juvenis, tais como o Projovem – Programa Nacional de Inclusão de Jovens, coordenado pela SECADI, foram fundamentais para superação de desigualdades e discriminações, para a luta por inclusão, participação e reconhecimento da juventude como sujeito de direitos e para superação de estigmas, como aqueles que associam a juventude pobre, negra e da periferia à criminalidade e à violência.

A SECADI é imprescindível, tendo-se em vista os desafios do cumprimento do Plano Nacional de Educação 2014-2024 (PNE) e, consequentemente, dos planos estaduais e municipais de educação. Quanto ao PNE destacamos:

-Meta 4: Elevar a taxa de inclusão escolar das pessoas de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino;

Meta 8: Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.

Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional

Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio;

Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.

Estratégias:

12.5) Ampliar, por meio de programas especiais, as políticas de inclusão e de assistência estudantil nas instituições públicas de educação superior, de modo a ampliar as taxas de acesso à educação superior de estudantes egressos da escola pública, apoiando seu sucesso acadêmico.

12.9) Ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos na educação superior, inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas, na forma da lei.

12.10) Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior, na forma da legislação;

12.13) Expandir atendimento específico a populações do campo e indígena, em relação a acesso, permanência, conclusão e formação de profissionais para atuação junto a estas populações

Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Estratégia 14.7) Implementar ações para redução de desigualdades regionais e para favorecer o acesso das populações do campo e indígena a programas de mestrado e doutorado.

Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

Estratégia: 15.6) Implementar programas específicos para formação de professores para as populações do campo, comunidades quilombolas e povos indígenas

Reafirmamos, portanto, que sem sombra de dúvida, é imprescindível a manutenção da SECADI, com a necessária estrutura, o que incluiu pessoas capacitadas para efetivar as políticas e programas de cada uma de suas diretorias.

 

 

Saade avança nos debates para a construção da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar

fonte: Boletim da Reitoria UFSCar (http://www.blogdareitoria.ufscar.br/wp-content/uploads/Boletim-da-Reitoria-16-06-2016.pdf)

Dando continuidade à construção participativa e dialógica da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar, a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Saade) realizou na última segunda-feira (13/6), no Campus Sorocaba, novo seminário temático, desta vez sobre Relações Étnico-Raciais.
Na ocasião, servidoras e servidores docentes e técnico-administrativos e estudantes do Campus discutiram as ações afirmativas na UFSCar voltadas às populações indígenas e negras e refletiram sobre as relações étnicas e raciais no cotidiano da vida universitária, considerando as diferentes categorias que constituem a comunidade universitária.
A conversa contou com a participação de Monica Caron, professora do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades (DGTH), que fez um resgate histórico relacionado à Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, promulgada em 1996 em Barcelona, na Espanha, com o objetivo de evidenciar como as línguas oficiais refletem opções políticas dos países e os interesses das classes dominantes. “No Brasil, nós temos em circulação 210 línguas naturais, 180 línguas indígenas vivas e 30 línguas estrangeiras e, ainda assim, somos considerados, equivocadamente, um país monolíngue. Em consequência, no cenário nacional, nem as línguas diferentes do Português, nem as pessoas falantes dessas línguas são atendidas nas políticas públicas de diferentes áreas, como Educação e Saúde”, registrou Caron. Para a professora, a UFSCar deve considerar que o ser humano é fundamentalmente diverso – em suas línguas, costumes e formas de expressão – para combater o preconceito por meio de uma política verdadeiramente comprometida com a inclusão.
Marcos Pereira, Mestre formado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd) do Campus Sorocaba e militante do Movimento Negro em Sorocaba, resgatou a sua trajetória como pesquisador negro dentro da UFSCar e destacou a necessidade de urgência no fortalecimento das políticas de igualdade na Instituição. “A vulnerabilidade da pessoa negra e da família negra fica evidenciada em todos os índices de desenvolvimento humano e social. A Universidade tem de ser agente transformador dessa realidade”, afirmou. Erlete de Ceita Pires dos Santos, natural de São Tomé e Príncipe e estudante do curso de Administração, também relatou sua chegada ao Campus Sorocaba por meio do PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio de Graduação), e afirmou acreditar na necessidade de uma política que contribua para a desconstrução de uma imagem negativa do continente africano. “Fui muito bem recebida no Brasil e na UFSCar e repetiria a minha escolha, mas a desinformação sobre a história do negro e da África ainda é fonte de muito preconceito e discriminação”, disse a estudante.
Por sua vez, Geovan José dos Santos, indígena da etnia Pankararu, defendeu a construção de um diagnóstico da realidade e dos problemas enfrentados pelas comunidades indígenas na UFSCar. “Precisamos acabar com os estereótipos que tantas vezes homogeneízam nossas línguas, culturas e identidades. Também acredito que a Instituição deve investir no aperfeiçoamento das ações de acolhimento às populações indígenas e que a nova política deve considerar as especificidades de cada povo e a valorização dos seus saberes”, afirmou.
No debate, também foram levantadas questões sobre a formação de docentes para o trato com a diversidade cultural dentro das salas de aula, processos de ensino e aprendizagem efetivamente inclusivos, o apoio pedagógico a estudantes de diferentes etnias e culturas e meios para o combate às barreiras linguísticas e sociais historicamente construídas dentro das universidades.

Semana terá seminários sobre Relações Étnico-Raciais e sobre Diversidade e Gênero em São Carlos e Sorocaba

Fonte: http://www2.ufscar.br/servicos/noticias.php?idNot=8615

Ao longo desta semana, acontecem mais três seminários temáticos relacionados ao processo de construção participativa e dialógica da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar, em andamento sob a coordenação da Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Saade) da Universidade.

Na segunda-feira (13/6), das 19h30 às 21h30, no Campus Sorocaba (Auditório do ATLab), acontece seminário sobre “Relações Étnico-Raciais”, que buscará discutir as ações afirmativas na UFSCar voltadas às populações indígenas e negras e refletir sobre as relações étnicas e raciais no cotidiano da vida universitária, considerando as diferentes categorias que constituem a comunidade universitária. A conversa contará com a participação de representantes dos estudantes indígenas, negros e participantes do programa PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio de Graduação, do Governo Federal, voltado à oferta de oportunidades de acesso à Educação Superior a pessoas de países em desenvolvimento com os quais o Brasil mantém acordos educacionais e culturais). Participam também Monica Caron (Docente do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades – DGTH, do Campus Sorocaba) e Marcos Pereira (Mestre formado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGEd, também do Campus Sorocaba – e militante do Movimento Negro).

Na terça-feira (14/6), das 18h30 às 21h, no Campus São Carlos (Teatro de Bolso), acontece o seminário “Prevenção e enfrentamento à violência aos gêneros e às sexualidades”, na forma de roda de conversa. A comissão responsável pela organização do evento a especial importância desse debate no atual cenário político, e convida para ele todas as pessoas interessadas em debater o tema da violência contra mulheres cisgêneras, transexuais ou travestis, lésbicas, bissexuais e homossexuais, no intuito de permitir a construção de propostas que visem a prevenção e o enfrentamento a essas violências de forma ampla e com amparo da Universidade.

Por fim, na quarta-feira, das 9h30 às 11h30 (no Auditório do Centro de Ciências em Gestão e Tecnologia – CCGT) e das 19h30 às 21h30 (em local a ser confirmado), acontecem no Campus Sorocaba seminários sobre Diversidade e Gênero, com a participação prevista de Emanuela Barros (advogada e militante feminista), Alice Vilas Boas (ativista trans), Iara Bernardi (do Instituto Plena Cidadania) e representante das Promotoras Legais Populares.

A participação em todos os eventos é gratuita e aberta a todas as pessoas que desejam construir a Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade juntamente com a Saade e as comissões formadas em cada campus para coordenar esse processo de construção e para a definição das prioridades da Secretaria. Mais informações podem ser obtidas no Blog da Saade (em http://blog.saade.ufscar.br/) ou pelo telefone (16) 3351-9771.

SAADE disponibiliza vídeos com Seminários sobre temas relacionados à seu escopo de atuação

No mês de abril de 2016, a SAADE realizou 3 seminário com o intuito de apresentar um breve panorama histórico, político e conceitual sobre os temas relacionados ao escopo de atuação da Secretaria.

Estes seminários foram transmitidos ao vivo e, posteriormente, receberam a tradução em LIBRAS.

Agradecimento à Secretaria de Educação à Distância que possibilitou a transmissão ao vivo e o registro do seminário; agradecimento ao Anderson Marques da Silva e à Sarah Leite Lisbao Machado Diniz, tradutores de LIBRAS, agradecimento à Lara Cristina que finalizou a edição do vídeo e ao Pedro Dolosic Cordebello, pelo suporte na finalização dos vídeos.

Abaixo é possível acompanhar os registros destes seminários:

Programa Abdias Nascimento – ATENÇÃO!!! Prorrogadas as Inscrições até o dia 10/06/2016

 

O Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (Neab) da UFSCar torna pública seleção para o Programa Abdias Nascimento. O programa de mobilidade é voltado aos estudantes autodeclarados negros e oferece bolsas de estudo da Capes para realizar pesquisa conjunta entre o Núcleo e Instituições de Ensino Superior do exterior nas modalidades de graduação sanduíche e doutorado sanduíche.http://www.neab.ufscar.br/?p=5687
No total, há quatro vagas para estudantes de graduação e duas para estudantes de doutorado, com estadia de, no mínimo, quatro meses e, no máximo, 12 meses. O programa oferece vagas prioritariamente para estudantes dos cursos de Biologia, Pedagogia e áreas afins – Ciências Humanas e Biológicas – para participar da pesquisa intitulada “A construção de conhecimento e pesquisa no Ensino Superior: questionamentos e contribuições a partir das matrizes étnico-raciais e culturais e de saberes africanos e afrodescendentes”. Serão selecionados estudantes que possuam percurso de pesquisa e reconhecido comprometimento com a área de pesquisa em relações étnico-raciais. As inscrições foram prorrogadas até o dia 10 de Junho e a seleção final dos estudantes é realizada pelo próprio Neab. Mais informações sobre o programa, ficha de inscrição e sobre prazos estão disponíveis em www.neab.ufscar.br.

Vestibular Indígena 2016

Estão abertas as inscrições para o Vestibular Indígena 2016 da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Os interessados tem até o dia 4 de Setembro para realizar a inscrição, que é feita exclusivamente pelo envio dos documentos via Correios.
Podem se candidatas estudantes indígenas que cursaram o Ensino Médio em escolas públicas ou indígenas.
As provas serão aplicadas nas cidades de Cuiabá/MT, Manaus/AM, Recife/PE e São Paulo/SP, em
endereços a serem previamente consultados pelos candidatos, exclusivamente pela Internet, quando da
divulgação da convocação para as provas.

Acesse aqui o edital para mais informações. Vestibular Indigena 2016 – UFSCar

Saade: Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade debate aspectos históricos, políticos e conceituais de suas diferentes áreas de atuação

Fonte: http://www.blogdareitoria.ufscar.br (Publicada em 16/04/2016)

No início deste mês, a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Saade) da UFSCar realizou uma série de seminários de formação com o objetivo de apresentar e debater aspectos históricos, políticos e conceituais de suas áreas específicas de atuação, organizadas nas coordenadorias de Diversidade e Gênero; de Relações Étnico-Raciais; e de Inclusão e Direitos Humanos. Os eventos constituíram mais uma etapa do processo de implantação da Secretaria e, para quem não pôde estar presente, a gravação pode ser conferida nos links indicados mais adiante. Esses vídeos estão sendo traduzidos para a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e, tão logo seja concluída a tradução, serão disponibilizados com esse recurso de acessibilidade no blog da Saade, lançado nos últimos dias e acessível pelo endereço http://blog.saade.ufscar.br. O contato com a Saade pode ser feito pelo telefone (16) 3351-9771 ou pelo e-mail saade@ufscar.br.

Relações Étnico-Raciais e Diversidade e Gênero

Os dois primeiros seminários – sobre relações étnico-raciais e sobre diversidade e gênero – aconteceram no dia 5 de abril, no Campus Sorocaba. A gravação do evento pode ser conferida neste link.

A primeira apresentação foi feita pela Coordenadora de Relações Étnico-Raciais da Saade, Rosana Batista Monteiro, docente do Departamento de Ciências Humanas e Educação (DCHE), que abordou questões relacionadas aos conceitos de raça e etnia, ao preconceito e à discriminação e, também, à trajetória que levou à implantação das ações afirmativas na UFSCar.

Monteiro destacou que raça é um um conceito inoperante, um termo “usado para classificar e hierarquizar os seres humanos e legitimar sistemas de dominação”. “Raça não é uma realidade biológica, mas uma categoria social de exclusão”, explicou a pesquisadora, afirmando como, a partir do conceito de raça, grupos são classificados e estigmatizados durante os processos de socialização. “Assim, na sociedade brasileira, quanto mais clara a pessoa é, mais evoluída, mais capaz e menos perigosa ela é considerada. E o inverso também vale: quanto mais escura, menos evoluída, menos capaz e mais perigosa. Essa associação não é realista, é sociológica, e nos leva ao preconceito, à discriminação e ao racismo.”

A palestrante também destacou que preconceito é um fenômeno psicológico baseado em estereótipos e manifestado em forma de discriminação. Ou seja, a discriminação materializa o preconceito no sentido de anular os direitos do outro em qualquer domínio da vida pública, e o racismo é a discriminação baseada nas diferentes características biológicas existentes entre os seres humanos. “Aqui é importante percebermos que o racismo não se manifesta apenas em forma de agressões ou hostilidades, mas também ao tornarmos o outro invisível; não ver o outro também é uma forma de racismo que precisa ser combatida diariamente dentro das salas de aula, inclusive na UFSCar”, afirmou Monteiro.

Como consequência do racismo, a sociedade brasileira – apesar de viver sob o mito da democracia racial – construiu processos de desigualdade que levam, por exemplo, à exclusão dos negros das universidades. “Em 2006, 30% da população brasileira branca tinha acesso ao Ensino Superior público e apenas 12% dos negros conseguiam chegar à universidade. Esse cenário nos faz ter a certeza da necessidade das políticas de ações afirmativas para repararmos as injustiças historicamente sofridas pela população negra. As ações afirmativas devem existir para corrigir ou mitigar os efeitos da discriminação; elas diferenciam os indivíduos para produzirem igualdade; elas são a concretização do ideal da efetiva igualdade”, enfatizou a Coordenadora.

Na mesma direção, a professora Viviane Melo de Mendonça, também do DCHE e Coordenadora de Diversidade e Gênero da Saade, falou sobre o desafio de construir políticas na área dentro das universidades. “Nós, enquanto Universidade, precisamos ter atenção e estar em contato com os grupos políticos e sociais que empreendem as lutas em favor da diversidade sexual e de gênero se queremos realmente contribuir com a construção de uma sociedade mais justa e igualitária e que ofereça as mesmas oportunidades para todas e todos”, afirmou Mendonça.

De modo análogo ao que ocorreu com a população negra, pressupostos biológicos historicamente foram e continuam sendo usados para reforçar desigualdades entre homens e mulheres, sendo que o modelo binário homem/mulher é uma construção social que reforça os preconceitos e as hierarquias. “Diante disso, temos de pensar a posição inferiorizada delegada à mulher na nossa sociedade, que reflete dentro da comunidade acadêmica e científica; temos de questionar o modelo heteronormativo secularmente imposto, inclusive, por intermédio das instituições escolares; temos de trabalhar pela visibilidade dos movimentos LGBTs também dentro das universidades, já que a invisibilidade é um empecilho à conquista dos direitos; temos de lutar contra a violência institucional silenciada que reproduz desigualdades e impede sua superação”, defendeu Mendonça.

Inclusão e Direitos Humanos

No dia 12 de abril, em São Carlos, a Coordenadora de Inclusão e Direitos Humanos da Saade, Rosimeire Maria Orlando, docente do Departamento de Psicologia, retomou  registros de pessoas com deficiência ao longo da história da Humanidade para situar as conquistas de direitos e os desafios que ainda precisam ser enfrentados. Orlando ressaltou como, na história que conhecemos, as pessoas com deficiência já foram brutalmente eliminadas ou segregadas pela sociedade, a exemplo do que é retratado na obra clássica de Victor Hugo, “O Corcunda de Notre Dame”. Apenas na Idade Moderna é que se começa a ter concepções médicas sobre deficiências, e entendimentos sobre aspectos pedagógicos, sob os quais é possível olhar para as capacidades dos indivíduos. No Brasil, a docente citou o marco da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, de 1961, que afirma em seu texto que “a educação é direito de todos”, para explicar o modelo da integração das pessoas com deficiência.

A garantia legal do direito à educação e do direito à matrícula nas escolas, no entanto, não foi suficiente para, de fato, garanti-los. “O acesso e a permanência das pessoas com deficiência nas instituições de ensino não garante que haja a apropriação dos conteúdos escolares se não houver inclusão”, afirmou Orlando, contrapondo os modelos de integração e de inclusão. “O primeiro enxerga a deficiência como uma condição médica, e foca os esforços terapêuticos para que o indivíduo se adapte à sociedade. O segundo enxerga as capacidades dos indivíduos, e compreende as barreiras como problemas da sociedade, reconhecendo, aceitando e valorizando a diversidade. Os direitos das pessoas com deficiência são resultado de lutas históricas da sociedade civil, que não terminam na aprovação de leis”, afirmou a Coordenadora. “As pessoas têm formas diferentes de andar, ritmos diferentes de aprender, e, portanto, a deficiência é uma construção social. Por isso, a sociedade deve oferecer apoios e suportes para que as pessoas com deficiência possam desenvolver seus potenciais”, defendeu Orlando.

A apresentação de Rosimeire Maria Orlando pode ser conferida neste link.

Apresentação SAADE

SECRETARIA GERAL DE AÇÕES AFIRMATIVAS, DIVERSIDADE E EQUIDADE

A Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE) é um órgão de apoio administrativo vinculado à Reitoria da Universidade Federal de São Carlos, responsável pelo estabelecimento e implementação de políticas de ações afirmativas, diversidade e equidade para a UFSCar, bem como pela criação de mecanismos permanentes de acompanhamento e consulta à comunidade, visando verificar a eficácia dos procedimentos e a qualidade e repercussão dos resultados alcançados.

Ações Afirmativas são o conjunto de políticas que tem por objetivo combater práticas discriminatórias, equacionar suas conseqüências, agindo com medidas especiais e temporárias, espontânea ou compulsoriamente, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidades e tratamento, bem como de compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, decorrentes de motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e por deficiências.

A UFSCar vem construindo medidas de Ações Afirmativas há muitos anos e em diversos setores. Em junho de 2007, a Portaria GR nº 695/07 implantou o ingresso por reserva de vagas para acesso aos cursos de Graduação da UFSCar, no Programa de Ações Afirmativas.

É preciso destacar que é dentro de um histórico de ações e de militância em torno das questões relacionadas às ações afirmativas, às diversidades e à equidade que a SAADE foi estruturada como mais uma resposta às demandas que surgem no cotidiano da UFSCar.

Em junho de 2015, a Resolução do CoAd nº 076 institui, oficialmente, a criação da SAADE.

A SAADE possui uma Secretária Geral que, atualmente, é a Profa. Dra. Maria Waldenez de Oliveira e possui o assessoramento de um Comitê Gestor e de um Conselho. Internamente, a SAADE divide suas atividades em três coordenadorias:

  • Coordenadoria de Inclusão e Direitos Humanos (CoIDH) – Profa Dra Rosimeire Maria Orlando

Compete acolher e promover políticas, reflexões e ações que visem garantir a inclusão e acessibilidade (atitudinal, arquitetônica, metodológica, programática, instrumental, transporte, comunicacional e digital) de servidores, estudantes e da comunidade em geral.

  • Coordenadoria de Relações Étnico-Raciais (CoRE) – 

Compete acolher e promover políticas, reflexões e ações sobre as relações étnico-raciais (gerais e institucionais) como forma de combate ao preconceito e à intolerância.

  • Coordenadoria de Diversidade e Gênero (CoDG) – Profa Dra Natália Rejane Salim

Compete acolher e promover políticas, reflexões e ações relativas às relações de gênero e diversidade sexual na sociedade, de modo geral, e na instituição, de modo específico, atuando no combate à violência de gênero, à homofobia e transfobia.

SEMINÁRIOS

Nos links abaixo é possível assistir aos vídeos com os seminários relacionados às coordenadorias da SAADE.

 

LOCALIZAÇÃO

A SAADE localiza-se na àrea Sul do campus de São Carlos, entre o departamento de Música e a Orquestra, quase em frente ao departamento de Sociologia.

Para entrar em contato com a SAADE é só ligar para o 3351-9771 e falar com Sandro que é o técnico-administrativo que trabalha na secretaria, além do e-mail saade@ufscar.br

Documentos Internos:
Documento de Criação SAADE