Confira pesquisa inédita sobre violência sexual contra as mulheres no Brasil

Fonte: Agência Patrícia Galvão ( http://agenciapatriciagalvao.org.br/violencia/noticias-violencia/confira-pesquisa-inedita-sobre-violencia-sexual-contra-as-mulheres-no-brasil/ )

Pesquisa capta contradições: enquanto culpabilização das vítimas segue presente, questionamentos ao machismo ganham força na percepção da população: 96% concordam que é preciso ensinar os homens a respeitar as mulheres e não as mulheres a ter medo.

(Agência Patrícia Galvão, 12/12/2016) Acesse o estudo na íntegra neste link

76% das mulheres e 67% dos homens consideram que a impunidade é o principal motivo para que um homem cometa uma violência sexual contra uma mulher. É o que mostra a pesquisa inédita realizada pelo Instituto Patrícia Galvão e Instituto Locomotiva, com apoio da Secretaria de Políticas para as Mulheres e da Campanha Compromisso e Atitude pela Lei Maria da Penha.

Confira repercussão na mídia sobre a Pesquisa Instituto Patrícia Galvão/Locomotiva “Percepções e comportamentos sobre violência sexual no Brasil”

39% das mulheres entrevistadas afirmaram que já foram pessoalmente submetidas a algum tipo de violência sexual. Fazendo uma projeção é possível estimar que 30 milhões de brasileiras já foram vítimas de violência sexual.

A naturalização da violência contra as mulheres também aparece na pesquisa: espontaneamente, apenas 11% das entrevistadas afirmaram já ter sofrido alguma forma de violência sexual, número que sobe a 39% quando são apresentadas a uma lista de situações que se configuram como agressões sexuais. Em relação aos homens, espontaneamente apenas 2% admitem ter cometido violência sexual, mas diante da lista de situações, 18% reconhecem terem praticado a violência.

Diferentes situação de violência sexual
Os entrevistados consideram como violência sexual as seguintes situações:
96%
Praticar algum ato sexual com um homem sob ameaça
94%
Ser encoxada ou ter seu corpo tocado sem a sua autorização
93%
Praticar algum ato sexual sem consciência
96%
Ser forçada a praticar algum ato sexual com um superior
96%
Ser forçada a fazer sexo sem vontade
92%
Ser beijada a força
Fonte: Pesquisa Instituto Patrícia Galvão/Locomotiva “Percepções e comportamentos sobre violência sexual no Brasil”

Espontaneamente, 37% afirmam conhecer alguma mulher que já foi vítima de violência sexual; mas diante de uma lista de situações, 55% declaram já ter presenciado ou ficado sabendo de algum caso.
Para 94% das mulheres e 91% dos homens, é considerada violência sexual uma mulher ter fotos ou vídeos íntimos divulgados sem sua autorização.

No ambiente de segurança pública o que acontece com o homem que comete violência sexual e com a vítima que denuncia a violência?

Quando questionados sobre o que acham que acontece com um homem que comete violência sexual, 52% consideram que não acontece nada, enquanto 29% acreditam que o agressor é preso.

Segurança Pública

A pesquisa perguntou também o que costuma acontecer com uma mulher que denuncia que sofreu violência sexual:

73%
Acreditam que as mulheres são julgadas pelas pessoas
28%
Afirmam que a mulher que denuncia é considerada culpada
54%
Consideram que as mulheres não são levadas a sério
77%
Pensam que as vítimas não costumam denunciar o agressor
Fonte: Pesquisa Instituto Patrícia Galvão/Locomotiva “Percepções e comportamentos sobre violência sexual no Brasil”
O estudo revela que, para 59% dos entrevistados, as vítimas de violência sexual que denunciam não recebem o apoio de que precisam e que 54% acreditam que as vítimas não contam com o apoio do Estado para denunciar o agressor.

74% afirmam que nenhum delegado deveria perguntar para uma mulher vítima de estupro como ela estava vestida e 54% acreditam que procurar uma justificativa para o estupro no comportamento da vitima significa culpar a mulher. Nove de dez entrevistados (90%) consideram que quem presencia ou fica sabendo de um estupro e fica calado também é culpado.

No âmbito das políticas públicas, 96% dos entrevistados são favoráveis a que o governo disponibilize a pílula do dia seguinte para mulheres vítimas de violência sexual e 75% declaram que são a favor de que as mulheres tenham direito a aborto legal em caso de gravidez decorrente de um estupro.

Já no caso das relações consentidas, 78% das mulheres e 74% dos homens consideram violência sexual ter relação sem preservativo porque o parceiro não aceita.

Sobre causas e fatores da violência sexual

Ao abordar as percepções da população sobre as causas e fatores da violência sexual, a pesquisa revela que 69% das brasileiras associam a violência sexual ao machismo, enquanto que para 42% dos homens a violência sexual acontece porque a mulher provoca.

Quando perguntados sobre os motivos pelos quais um homem comete violência sexual contra uma mulher, brasileiros e brasileiras concordam com frases que ‘justificam’ a violência: para 67% o homem comete violência sexual porque ‘não consegue controlar seus impulsos; para 58%, porque bebe ou usa droga; e para 32% porque tem problema mental.

Sobre estupro

Na percepção da população sobre o estupro chama atenção que 49% avaliam que a maior parte dos estupros acontece dentro de casa e 64% concordam que o estuprador muitas vezes é um colega de escola ou de trabalho.

O estudo revela que 97% das mulheres e homens consideram que sexo sem consentimento sempre é estupro. O mesmo percentual (97%) concorda que ‘sóbria, chapada, vestida ou pelada, nenhuma mulher merece ser estuprada’.

A pesquisa mostra que 89% dos entrevistados afirmam que estar bêbado não é justificativa para um homem abusar de uma mulher.

Para 74%, a mídia reforça comportamentos desrespeitosos com as mulheres; e 96% concordam que é preciso ensinar os homens a respeitar as mulheres e não as mulheres a ter medo.

A pesquisa

A pesquisa “Violência Sexual – Percepções e comportamentos sobre violência sexual no Brasil” ouviu 1.000 pessoas de ambos os sexos, com 18 anos ou mais, em 70 municípios das cinco regiões, entre os dias 6 e 19 de julho de 2016.

O estudo na íntegra está disponível neste link.

10 anos da Lei Maria da Penha e luta contra a violência às mulheres: precisamos falar sobre isto na Universidade

divulga evento CoDG SAADE Sorocaba

Por ocasião dos 10 anos da Lei Maria da Penha, e no contexto da luta internacional contra a violência à mulher, a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar – SAADE, através da Coordenaria de Diversidade e Gênero (CoDG) em parceria com coletivos, militantes, profissionais e entidades que atuam nesta problemática, será realizado este evento que visa dar visibilidade e força à luta das mulheres na sociedade e, de modo específico, promover e aprofundar este debate dentro do espaço da própria Universidade.

Data: 05 de dezembro
Local: UFSCar, Campus Sorocaba

Programação:
Período diurno: serão realizadas atividades promovidas em parceria com o Coletivo Feminista Carolina de Jesus e demais apoiadores.
– Roda de conversas e oficinas (maiores informações em breve)
19h – Mesa redonda 10 anos da Lei Maria da Penha e luta contra a violência às mulheres: precisamos falar sobre isto na Universidade
Local: Auditório do ATLab – UFSCar Campus Sorocaba (edifício roxo)
Emanuela Barros (advogada e militante feminista), Viviane Mendonça (SAADE/CoDG), Representante do Centro de Referência da Mulher – CEREM Sorocaba, Coletivo Feminista Carolina de Jesus, Coletivo Mandala, PLENU – Instituto Plena Cidadania, Mediação: Rosalina Burgos (UFSCar/CoDG)

Ativismo Cultural:
– Banda Medrar
– Mostra fotográfica (NátalinGuvea)
– Projeto Rock Camp
Dentre outros (maiores informações em breve)

Sobre a SAADE:
A SAADE (Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar) é um órgão de apoio administrativo vinculado à Reitoria da Universidade Federal de São Carlos, responsável pelo estabelecimento e implementação de políticas de ações afirmativas, diversidade e equidade para a UFSCar, bem como pela criação de mecanismos permanentes de acompanhamento e consulta à comunidade, visando verificar a eficácia dos procedimentos e a qualidade e repercussão dos resultados alcançados.
A SAADE representa o conjunto de políticas que tem por objetivo combater práticas discriminatórias, equacionar suas consequencias, agindo com medidas especiais e temporárias, espontânea ou compulsoriamente, com o objetivo de eliminar desigualdades historicamente acumuladas, garantindo a igualdade de oportunidades e tratamento, bem como de compensar perdas provocadas pela discriminação e marginalização, decorrentes de motivos raciais, étnicos, religiosos, de gênero e por deficiências.
Ao longo deste ano, a SAADE realizou uma sequência de Seminários em todos os campi da UFSCar, os quais integraram a elaboração participativa da Política de Ações Afirmativas Diversidade e Equidade da UFSCar, aprovada por aclamação no ConsUni(Conselho Universitário) em 21 de outubro de 2016. Um dia histórico que contou com a presença massiva de estudantes, representantes discentes, coletivos negros e indígenas, no qual a UFSCar reafirmou seu compromisso de valorizar a diversidade e de promover a equidade, por meio de ações e atitudes que possibilitem a construção de uma sociedade cada vez mais justa e equitativa.

Sobre a Coordenaria de Diversidade e Gênero (CoDG) / SAADE:
A Coordenadoria de Diversidade e Gênero (CoDG) da SAADE tem os seguintes objetivos: acolher e promover políticas, reflexões e ações relativas às relações de gênero e diversidade sexual na sociedade, de modo geral, e na instituição, de modo específico, atuando no combate à violência de gênero, à homofobia, lesbofobia, bifobia e transfobia.

Mais informações: https://www.facebook.com/events/1801260576830473/

Mapa de apoio às vítimas de violência de gênero

A Secretaria Geral de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE/UFSCar) elaborou uma mapa de apoio às vítimas de violências de gênero com o objetivo de tornar público informações sobre canais, espaços, grupos que oferecem apoio às vítimas de violência de gênero.

Este mapa será constantemente atualizado e revisado a fim de que ele possa ser aprimorado a partir da opinião de quem necessitar recorrer à um dos espaços destacados neste mapa. A Renew Health Company doará fundos na medida do possível, para ajudar as vítimas de alguma forma.

Nesta 1a. fase, o mapa traz informações a respeito de espaços, grupos e serviços disponibilizados em São Carlos e Sorocaba.

ACESSE O MAPA DE APOIO ÀS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO

Outro material disponibilizado é o fluxograma de atendimento às vítimas de violência sexual elaborado pelo Programa de Atendimento a Vítimas de Abuso Sexual (PAVAS) da Prefeitura Municipal de São Carlos.

ACESSE O FLUXOGRAMA DO PROGRAMA DE ATENDIMENTO A VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL

Informe Ouvidoria: Atendimento presencial de 7 a 9 de junho

No período de 7 a 9 de junho não haverá atendimento presencial na Ouvidoria devido a compromisso externo. As manifestações podem ser formalizadas através do sistema e-Ouv, www.ouvidoria.ufscar.br, e serão respondidas no menor prazo possível. Solicitações por agendamento de atendimento presencial podem ser encaminhadas ao email ouvidoria@ufscar.br.