Ações Afirmativas nos Programas de Pós-Graduação: experiências, a nova portaria do MEC e seus desdobramentos

Em reportagem, a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação traz à tona as discussões sobre Ações Afirmativas na Pós-Graduação, a partir da experiência de algumas universidades federais, do Seminário Política de Ações Afirmativas para Pós-graduação organizado pela  Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação da Universidade Federal Fluminense (Proppi/UFF) e através dos trabalhos em andamento sobre a Portaria Normativa n°13 do MEC, que dispõe sobre a indução de Políticas de Ações Afirmativas voltadas para negros, indígenas e pessoas com deficiência na Pós-graduação.

“Com o tempo vamos compreendendo que as Ações Afirmativas na Pós-graduação ajudam a superar divisões históricas, a construir outros caminhos entre as linhas abissais do pensamento – que separam pessoas em “desse lado da linha” e “do outro lado da linha” – e revelar que é possível que os diversos estejam juntos e produzam conhecimentos recíprocos”
– Nilma Lino Gomes, ex-ministra das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos.

Leia a reportagem na íntegra aqui.

SBPC endossa documento de indígenas por direitos

A moção, votada por unanimidade na Assembleia Geral Ordinária dos Sócios da SBPC, no dia 7 de julho, em Porto Seguro (BA), reitera “ser inadmissível, no âmbito do Estado democrático de direito, que sejam violados os direitos originários garantidos tanto na constituição brasileira quanto nos instrumentos jurídicos internacionais dos quais o Brasil é signatário”

A Assembleia Geral Ordinária dos Sócios da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizada no dia 7 de julho de 2016, decidiu por unanimidade endossar integralmente o documento elaborado pelos pesquisadores indígenas, reunidos com caciques, lideranças e aliados da causa indígena, por ocasião da 3ª SBPC Indígena, no âmbito da 68ª Reunião Anual da SBPC, nos dias 03 a 08 de julho de 2016, em Porto Seguro – BA.

O documento reitera “ser inadmissível, no âmbito do Estado democrático de direito, que sejam violados os direitos originários garantidos tanto na constituição brasileira quanto nos instrumentos jurídicos internacionais dos quais o Brasil é signatário”.

Veja aqui o documento completo.

Estão abertas as inscrições para o IV Encontro Nacional de Estudantes Indígenas (ENEI)

O IV Encontro Nacional de Estudantes Indígenas (ENEI), acontecerá em Santarém, Pará, na região Norte do Brasil, no período de 15 a 19 de outubro de 2016, na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). Em 2016, o tema central será “Diversidade Pluriétnica nas Universidades: Problematizando o Racismo”.

Sobre as inscrições:

  1. Até o dia 15/07 as inscrições estão abertas APENAS aos alunos que ficarão hospedados na Unidade Tapajós da UFOPA – limitadas à 500 vagas.
  2. A confirmação da Inscrição dos Participantes no Evento está condicionada ao pagamento da taxa de inscrição no valor de R$ 25,00 para estudantes e R$ 50,00 para profissionais.
  3. Importante: O pagamento pode ser feito até a data limite de 10 de agosto.

O IV ENEI busca dar continuidade às discussões e reflexões desenvolvidas nas edições anteriores, sobretudo no que tange a práticas educativas em contexto intercultural, enfatizando diálogos de saberes, atuação profissional e educação superior. O Encontro começou em 2013, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em São Paulo, e depois prosseguiu com as reuniões anuais. O II ENEI foi realizado por quatro universidades (UCDB, UFMS, UEMS e UFGD) no Mato Grosso do Sul e a terceira edição aconteceu na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

O Encontro pretende reunir estudantes indígenas e não indígenas, de graduação e pós-graduação, além de pesquisadores e profissionais indígenas e não indígenas, das mais diversas áreas do conhecimento, que perpassam para as temáticas das questões indígenas.

O tema desta edição expressa a necessidade de uma ação nacional em defesa da igualdade, respeitando as diversidades, além do incentivo e valorização da participação indígena na construção e desenvolvimento de um “diálogo de saberes”. É necessário e urgente garantirmos o engajamento dos profissionais da academia na criação de ações afirmativas e investimentos em programas, projetos e linhas de pesquisas que envolvam a questão indígena.

Mais informações, acesse http://ufopa.edu.br/enei2016/

Faculdade de Educação da UNICAMP aprova cotas para pós-graduação

No dia 29 de junho de 2016, em Congregação histórica da Faculdade de Educação da UNICAMP, foi aprovada a admissão de cotas para a Pós-graduação para negros, indígenas e para pessoas com deficiência.

Registro do Seminário Temático de Relações Étnico-Raciais ocorrido no campus São Carlos no dia 21/06/2016

Abaixo é possível acompanhar ao vídeo que registrou o Seminário Temático de Relações Étnico-Raciais que aconteceu no formato de Roda de Conversa sobre Prevenção e combate ao Racismo Institucional e à outras formas de discriminações de Raça, Cor, Etnia, Religião ou Procedência Nacional, no dia 21 de junho, das 19h às 22h no Teatro de Bolso, no campus de São Carlos.

O Seminário faz parte do processo de construção, participativo e dialógico, da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar.

A SAADE agradece todas as pessoas que participaram da Roda de Conversa e que colaboraram para que este momento acontecesse.

Nota sobre a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC)

É com grande preocupação que a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (SAADE) UFSCar recebeu na quarta-feira, dia 2 de junho, a notícia da exoneração de 23 pessoas, dentre elas – chefes, coordenadores (as) de áreas, técnicos (as) da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação (MEC). A preocupação aumenta especialmente com a extinção do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos pela Medida Provisória nº 726, de 12 de maio do presente ano, cujas pastas passam a compor secretarias no Ministério da Justiça e Cidadania, recém-criado. A UFSCar tem uma trajetória que atesta seu compromisso com as políticas de ações afirmativas, diversidade e equidade, expresso,entre outras ações, na própria criação desta Secretaria. Dentro dos desafios postos a toda sociedade brasileira nas correções de desigualdades e promoção da equidade, esta Secretaria reafirma mais do que sua co-participação, reafirma seu compromisso e protagonismo – como Universidade Pública brasileira- com todas as ações empreendidas pela sociedade civil e pelos órgãos governamentais na direção dessas correções, para as quais a  SECADI é parte fundamental e  estrutura necessária. Reconhecemos e apoiamos a continuidade da SECADI, seu fortalecimento, com o necessário aporte de recursos financeiros, infraestrutura, e especialmente com a presença de pessoal qualificado nas especificidades de suas diretorias tal como determinado pelo Decreto nº 7.690/2012, da Presidência da República, em seus artigos 20 a 25, que, em linhas gerais, afirma que esta Secretaria deve contribuir para o desenvolvimento inclusivo dos sistemas de ensino, voltado à valorização das diferenças e da diversidade, à promoção da educação inclusiva, dos direitos humanos e da sustentabilidade socioambiental, visando à efetivação de políticas públicas transversais e intersetoriais.

A UFSCar acompanhou e, direta ou indiretamente, participou da construção desta secretaria, dialogando de perto com muitas das ações desencadeadas, participando de diferentes programas, em especial no campo das relações étnico-raciais, mas também na educação de jovens e adultos;e outros, e mais recentemente, programas de inclusão – como o INCLUIR. A universidade, ao adotar o sistema de reserva de vagas em 2007, antes da Lei 12711/2013, aumentou sua preocupação com as consequências do acesso de grupos étnicos, raciais e sociais que antes não se faziam presentes. Diante deste fato, a universidade, em seu Projeto de Desenvolvimento Institucional (PDI), vem assegurando formas de garantir uma universidade de excelência, para todas e todos, para isto mobilizando esforços em diferentes ações, acompanhando e sendo apoiada por órgãos governamentais como a SECADI e, o recentemente extinto Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial, da Juventude e dos Direitos Humanos. ASECADI é para esta universidade, assim como outras instituições de educação, instância fundamental para a consolidação de uma educação verdadeiramente pública, gratuita, de qualidade para todas e todos. Não por acaso, a criação da SAADE, é uma resposta institucional que acompanha as políticas e programas de Estado e de governo conquistadas pela sociedade civil, em especial, de determinados grupos mais vulneráveis – mulheres, negros(as), indígenas, ciganos(as), quilombolas e remanescentes, pessoas com deficiência, jovens.

A SECADI, criada como SECAD em 2001, em um contexto de crescente debate em torno de ações afirmativas para população negra, garantia de direitos a população carente, direito a educação pública e gratuita para todos – incluindo as pessoas jovens e adultas analfabetas – direitos expressos na Constituição Federal de 1988 que se mostravam ainda um grande desafio para serem efetivados. Questões específicas como educação para as relações étnico e raciais, educação continuada, educação de pessoas com deficiência, população quilombola e indígena embora dialogassem com todas as secretarias do MEC necessitavam de uma estrutura que atendesse que as priorizasse. A SECAD (posteriormente, SECADI) é então criada para responsabilizar-se por políticas e programas vinculadas a demandas que a muito vinham sendo apontadas por movimentos sociais, mas também pelas próprias secretarias do MEC em razão de determinadas especificidades, com destaque – o campo das Relações raciais e étnicas, da educação de jovens e adultos, da educação do campo, das pessoas com deficiência e a educação na modalidade a distância.Como se pode ler no próprio site do MEC“À Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão compete planejar, orientar e coordenar, em articulação com os sistemas de ensino, a implementação de políticas para a alfabetização, a educação de jovens e adultos, a educação do campo, a educação escolar indígena, a educação em áreas remanescentes de quilombos, a educação em direitos humanos, a educação ambiental e a educação especial.”

Também é preciso considerar que há pelo menos duas décadas o tema da juventude vem se constituindo como fundamental na agenda pública do Brasil. Nesse processo, os mecanismos institucionais de gestão, tais como a Secretaria Nacional de Juventude e os programas de inclusão com estrutura e orçamento capazes de produzir incidência nas trajetórias juvenis, tais como o Projovem – Programa Nacional de Inclusão de Jovens, coordenado pela SECADI, foram fundamentais para superação de desigualdades e discriminações, para a luta por inclusão, participação e reconhecimento da juventude como sujeito de direitos e para superação de estigmas, como aqueles que associam a juventude pobre, negra e da periferia à criminalidade e à violência.

A SECADI é imprescindível, tendo-se em vista os desafios do cumprimento do Plano Nacional de Educação 2014-2024 (PNE) e, consequentemente, dos planos estaduais e municipais de educação. Quanto ao PNE destacamos:

-Meta 4: Elevar a taxa de inclusão escolar das pessoas de 4 a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação na rede regular de ensino;

Meta 8: Meta 8: Elevar a escolaridade média da população de 18 a 24 anos de modo a alcançar mínimo de 12 anos de estudo para as populações do campo, da região de menor escolaridade no país e dos 25% mais pobres, bem como igualar a escolaridade média entre negros e não negros, com vistas à redução da desigualdade educacional.

Meta 9: Elevar a taxa de alfabetização da população com 15 anos ou mais para 93,5% até 2015 e erradicar, até 2020, o analfabetismo absoluto e reduzir em 50% a taxa de analfabetismo funcional

Meta 10: Oferecer, no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio;

Meta 12: Elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurando a qualidade da oferta.

Estratégias:

12.5) Ampliar, por meio de programas especiais, as políticas de inclusão e de assistência estudantil nas instituições públicas de educação superior, de modo a ampliar as taxas de acesso à educação superior de estudantes egressos da escola pública, apoiando seu sucesso acadêmico.

12.9) Ampliar a participação proporcional de grupos historicamente desfavorecidos na educação superior, inclusive mediante a adoção de políticas afirmativas, na forma da lei.

12.10) Assegurar condições de acessibilidade nas instituições de educação superior, na forma da legislação;

12.13) Expandir atendimento específico a populações do campo e indígena, em relação a acesso, permanência, conclusão e formação de profissionais para atuação junto a estas populações

Meta 14: Elevar gradualmente o número de matrículas na pós-graduação stricto sensu de modo a atingir a titulação anual de 60 mil mestres e 25 mil doutores.

Estratégia 14.7) Implementar ações para redução de desigualdades regionais e para favorecer o acesso das populações do campo e indígena a programas de mestrado e doutorado.

Meta 15: Garantir, em regime de colaboração entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, que todos os professores da educação básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

Estratégia: 15.6) Implementar programas específicos para formação de professores para as populações do campo, comunidades quilombolas e povos indígenas

Reafirmamos, portanto, que sem sombra de dúvida, é imprescindível a manutenção da SECADI, com a necessária estrutura, o que incluiu pessoas capacitadas para efetivar as políticas e programas de cada uma de suas diretorias.

 

 

Saade: Seminários discutem Diversidade e Gênero para subsidiar Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar

Fonte: http://www.blogdareitoria.ufscar.br/?p=4162

Na última semana, a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Saade) da UFSCar realizou nos campi São Carlos e Sorocaba três edições do seminário temático de Diversidade e Gênero, que integraram o processo de construção participativa e dialógica da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da Universidade.

No Campus São Carlos, o evento foi realizado no dia 14, no formato de uma roda de conversa sobre “Prevenção e enfrentamento à violência aos gêneros e às sexualidades” conduzida por Erika Santos, integrante da comissão aberta de construção da Política. Santos iniciou as falas com um depoimento no qual destacou o alto número de assassinatos de pessoas transexuais, citando estatísticas que apontam o Brasil como país com o maior número de assassinatos de pessoas trans. Os dados apontam também que 90% das mulheres trans se prostituem como única alternativa de sobrevivência, em meio a uma sociedade que as expulsa dos demais espaços. “As pessoas em geral não veem as pessoas trans, e não sabem lidar com elas. A mulher trans é vista como um ‘homem gay super afeminado’, e o homem trans como uma ‘mulher lésbica super masculinizada’, nos parâmetros em que se impõe o que é ser feminino e o que é ser masculino. Com quantas pessoas trans ou travestis vocês se deparam no dia a dia? Onde estão essas pessoas se elas existem?”, questionou.

Este contexto de invisibilidade, que impede a busca por amparo, agrava-se com as expulsões das famílias das pessoas trans, que, como destacou a ativista, são colocadas para fora de casa ainda na adolescência. “Quando as pessoas trans, com muito sacrifício, ingressam em espaços como a Universidade, elas se deparam com o ódio. Junto com elas entra toda a transfobia, a violência, a humilhação e a segregação. A sociedade aprendeu que ser mulher é ter vagina, que ser homem é ter pênis, que tudo que é diferente disso deve ser enojado, deve ser rechaçado. Não temos direito nem mesmo a ter um nome”, reforçou, apontando as dificuldades para a troca legal de nome, bem como para o uso de nome social.

A partir das colocações iniciais, as pessoas presentes debateram sobre maneiras de enfrentar as questões que expulsam indivíduos trans da sociedade e sobre violências contra a mulher. Refletiu-se sobre a importância de promover educação de gênero na Educação Infantil. Outro tema abordado foi o atendimento de Saúde, que envolve dificuldades específicas para a população trans. O público, composto também por profissionais da área da Saúde, destacou a falta de preparação profissional, e o desconhecimento das questões de diversidade de gênero, que impede o acolhimento adequado dessa população. Neste sentido, evidenciou-se a necessidade de incluir a diversidade de gênero nos currículos dos cursos de graduação, observando-se que a população trans, como quaisquer outras pessoas, utilizam os equipamentos de Saúde e precisam ter seus direitos assegurados. Foi ressaltada também a exclusão de mulheres trans das políticas de atenção à mulher, que, por sua vez, também são insatisfatórias, e correm constantes riscos de retrocesso com mudanças de gestão. O vídeo com a íntegra do encontro está disponível no Blog da Saade.

Sorocaba

Em Sorocaba, foram realizados dois encontros no dia 15, com a presença de Emanuela Barros, advogada e militante feminista; Alice Vilas Boas, ativista trans; Flávia Biggs, socióloga e também militante feminista, além de Viviane Melo de Mendonça e Rosana Batista Monteiro, coordenadoras de Diversidade e Gênero e de Relações Étnico-Raciais da Saade, e de representantes das Promotoras Legais Populares e do Coletivo Mandala.
A partir de um panorama da condição da mulher na sociedade brasileira, Barros afirmou que, para a construção da política de igualdade da UFSCar, é fundamental considerar a realidade das mulheres e de LGBTTs dentro dos campi, que, invariavelmente, refletem em suas estruturas e relações a violência de gênero presente na sociedade. “Vivemos imersos em uma cultura patriarcal construída ao longo dos séculos e que naturalizou relações de poder que incitam a violência contra a mulher. A nossa cultura estabelece e perpetua de forma natural a submissão da mulher diante do homem e incita a manutenção do status quo e do poder exercido pelos homens. É contra essa cultura que nós e a política da UFSCar devemos lutar”, afirmou a advogada.

Para a socióloga Flávia Biggs, a Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da Universidade também deve contribuir para o empoderamento das mulheres e para a visibilidade de LGBTTs. “Temos de mudar a percepção de mundo da juventude para que ela perceba que a violência de gênero é algo socialmente construído e, como tal, pode ser transformada a partir do comportamento e do comprometimento de cada pessoa com o respeito ao próximo em sua individualidade”, afirmou Biggs.

Na mesma direção, Vilas Boas relatou sua luta contra a invisibilidade social. “Me sinto invisível e completamente excluída dos círculos sociais e esquecida pelas políticas públicas em qualquer área. A maioria de nós está relegada à rua e à prostituição como lugar na sociedade e forma de sobrevivência”, relatou a ativista trans. No evento, foram citadas estatísticas que apontam que a expectativa de vida de transexuais no Brasil é de 30 a 35 anos, enquanto a do restante da população é de 78 anos. “Nós não temos nem o direito de ser, existir e sobreviver. Precisamos conquistar os espaços desde dentro das nossas casas até nas escolas, hospitais, igrejas, clubes e universidades. Acredito que com a criação da Saade e de sua política institucional, a UFSCar dá um passo importante no sentido de nos enxergar e garantir nosso acesso e permanência em suas estruturas”, destacou Vilas Boas.

As pessoas presentes também levantaram questões sobre o combate à cultura do assédio sexual e do estupro; o despreparo de profissionais da Educação, da Saúde e da Segurança Pública para acolher e encaminhar os casos de violência de gênero; a culpabilização das vítimas de violência sexual; e sobre o papel da Educação e da Cultura na transformação desse cenário de desigualdade de direitos.

A Saade registra todos os seminários em vídeo, disponibilizados alguns dias após a realização em seu Blog, onde é possível consultar também o cronograma de reuniões em todos os campi. Os relatos dos encontros serão sistematizados para compor a Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da Universidade, que deverá ser aberta para consulta pública de toda a comunidade em agosto. Aqui no Blog da Reitoria é possível consultar as matérias com destaques das reuniões, bem como o histórico de ações da Secretaria desde sua criação, aprovada pelo Conselho Universitário (ConsUni) em maio de 2015.

Registro do Seminário Temático de Diversidade e Gênero ocorrido no campus São Carlos no dia 14/06/2016

Abaixo é possível acompanhar ao vídeo que registrou o Seminário Temático de Diversidade e Gênero que aconteceu no formato de Roda de Conversa sobre Prevenção e Enfrentamento à Violência aos Gêneros e às Sexualidades, no dia 14 de junho, das 18h30 às 21h no Teatro de Bolso, no campus de São Carlos.

O Seminário faz parte do processo de construção, participativo e dialógico, da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar.

A SAADE agradece todas as pessoas que participaram da Roda de Conversa e que colaboraram para que este momento acontecesse.

Saade avança nos debates para a construção da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar

fonte: Boletim da Reitoria UFSCar (http://www.blogdareitoria.ufscar.br/wp-content/uploads/Boletim-da-Reitoria-16-06-2016.pdf)

Dando continuidade à construção participativa e dialógica da Política de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar, a Secretaria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (Saade) realizou na última segunda-feira (13/6), no Campus Sorocaba, novo seminário temático, desta vez sobre Relações Étnico-Raciais.
Na ocasião, servidoras e servidores docentes e técnico-administrativos e estudantes do Campus discutiram as ações afirmativas na UFSCar voltadas às populações indígenas e negras e refletiram sobre as relações étnicas e raciais no cotidiano da vida universitária, considerando as diferentes categorias que constituem a comunidade universitária.
A conversa contou com a participação de Monica Caron, professora do Departamento de Geografia, Turismo e Humanidades (DGTH), que fez um resgate histórico relacionado à Declaração Universal dos Direitos Linguísticos, promulgada em 1996 em Barcelona, na Espanha, com o objetivo de evidenciar como as línguas oficiais refletem opções políticas dos países e os interesses das classes dominantes. “No Brasil, nós temos em circulação 210 línguas naturais, 180 línguas indígenas vivas e 30 línguas estrangeiras e, ainda assim, somos considerados, equivocadamente, um país monolíngue. Em consequência, no cenário nacional, nem as línguas diferentes do Português, nem as pessoas falantes dessas línguas são atendidas nas políticas públicas de diferentes áreas, como Educação e Saúde”, registrou Caron. Para a professora, a UFSCar deve considerar que o ser humano é fundamentalmente diverso – em suas línguas, costumes e formas de expressão – para combater o preconceito por meio de uma política verdadeiramente comprometida com a inclusão.
Marcos Pereira, Mestre formado pelo Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGEd) do Campus Sorocaba e militante do Movimento Negro em Sorocaba, resgatou a sua trajetória como pesquisador negro dentro da UFSCar e destacou a necessidade de urgência no fortalecimento das políticas de igualdade na Instituição. “A vulnerabilidade da pessoa negra e da família negra fica evidenciada em todos os índices de desenvolvimento humano e social. A Universidade tem de ser agente transformador dessa realidade”, afirmou. Erlete de Ceita Pires dos Santos, natural de São Tomé e Príncipe e estudante do curso de Administração, também relatou sua chegada ao Campus Sorocaba por meio do PEC-G (Programa de Estudantes-Convênio de Graduação), e afirmou acreditar na necessidade de uma política que contribua para a desconstrução de uma imagem negativa do continente africano. “Fui muito bem recebida no Brasil e na UFSCar e repetiria a minha escolha, mas a desinformação sobre a história do negro e da África ainda é fonte de muito preconceito e discriminação”, disse a estudante.
Por sua vez, Geovan José dos Santos, indígena da etnia Pankararu, defendeu a construção de um diagnóstico da realidade e dos problemas enfrentados pelas comunidades indígenas na UFSCar. “Precisamos acabar com os estereótipos que tantas vezes homogeneízam nossas línguas, culturas e identidades. Também acredito que a Instituição deve investir no aperfeiçoamento das ações de acolhimento às populações indígenas e que a nova política deve considerar as especificidades de cada povo e a valorização dos seus saberes”, afirmou.
No debate, também foram levantadas questões sobre a formação de docentes para o trato com a diversidade cultural dentro das salas de aula, processos de ensino e aprendizagem efetivamente inclusivos, o apoio pedagógico a estudantes de diferentes etnias e culturas e meios para o combate às barreiras linguísticas e sociais historicamente construídas dentro das universidades.

Nota da SAADE publicada no Painel do Leitor do jornal Folha de São Paulo em 10/06/2016

Em 2014 a Universidade Federal de São Carlos regulamentou o direito de uso do nome social a estudantes, servidores ou qualquer outra pessoa transexual ou travesti que tenha vínculo temporário ou estável com a Universidade. O reconhecimento do nome social é um direito, garante a dignidade da pessoa humana e assegura o pleno respeito à identidade de gênero.
Maria Waldenez de Oliveira – Secretária de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade da UFSCar – SAADE.